Nada pessoal

Março 14, 2008

  

O mundo é menor que o que se pensa

E as possibilidades

Maiores que as que se podem imaginar

Estamos confusos, em meio a uma névoa

Vasta e densa…

Sempre a um passo de nos desencontrar

 

Só que não precisamos

Estar retidos nesta barreira

Inabalável! Intransponível!

Podemos nadar contra a corredeira

Em direção ao inatingível…

 

Tudo o que quero é amar

Eu quero rotina

A ti, poesias como oferendas…

Amor… muito amor menina…

E nada mais é preciso

Por favor, compreendas

 

E se amor não for o bastante

Se for considerado pouco

É porque estás em más vivendas…

Foste tragada pelo mundo louco

E sendo assim:

                        Não me queiras…

Por gentileza:

                        Não me ofendas…

 

 

Caleidoscópio

Março 14, 2008

Esteja atento em sua caminhada

Pois o desvio está no meio do caminho

Cuidado com as companhias…

É bom, desde já

Mesmo quando acompanhado

Acostumar-se a ser sozinho

A cada passo, um buraco

Em cada buraco, o mundo…

O submundo entalado na garganta

De quem se engasga

Com a falta de alguma ausência

O moral declina… levanta…

A moral se rasga

Solidão:

Inexata ciência

Troque os olhos ao olhar a mesma coisa

Tire ao menos

Duas infinitas visões de algo

Pois olhos frios

No mármore, derretem

Os brios

Escorrem pelo ralo

E apagam a luz

De quem reluz

Visões

Que se invertem

   (Este poema foi concebido em parceria com o amigo e irmão, Edson de Paula, o maior poeta que já conheci)

Chaves e fechaduras

Março 13, 2008

  Somente através do sono, este revigorante descanso, será possível morrer e ressuscitar sem ter que prestar contas com Deus

Somente através da guerra, este nefasto instrumento da paz, será possível alcançar o fim do mundo antes do tempo previsto

Somente através da manutenção da fome, da proliferação da miséria e da ampliação do ignorantismo, estes grandes alicerces do conveniente subterfúgio sócio-político, será possível, aos ricos, gozar de luxo sem que haja muita concorrência

Somente através da arte, este mirabolante instrumento, será possível escarrar na cara do mundo e ser aplaudido

O espelho e o reflexo

Março 13, 2008

 Aguardava pacientemente na fila a minha vez de ser atendido, pensando comigo mesmo como alguns dos artistas brasileiros que hoje estão por aí, fazendo sucesso nos meios de comunicação, já foram mais engajados. Mais verdadeiramente preocupados com a situação do país e com uma forma de contribuir para a transformação da realidade. E como essa preocupação transbordava naturalmente de suas obras, subvertendo suas gerações com idéias novas! Ousadas! A maneira como contaminavam o pensamento das gerações futuras…

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 Caminhava ainda preocupado com o acidente da noite passada. Acidente que podia dar em tragédia. Se não estivesse usando camisinha, de repente, agora não estaria tão preocupado, pois não teria vacilado. Mas mesmo tendo relações com uma única parceira, ainda que só transe com minha namorada é preciso me cuidar. Não que eu desconfie da Márcia. Não, muito pelo contrário, ela é quase perfeita e temos um relacionamento muito verdadeiro. É uma questão de consciência limpa, de fazer a coisa certa.

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A grande máquina

Março 6, 2008

 

O eu não existe

O solitário e triste

Assim o é

Por conta de outros

Que como ele

Inexistem…

 

Nas ruas do centro de Salvador

Deparo-me com um enxame de eus

A grande massa amorfa

Despersonalizadamente humana

Humanamente inviável…

 

Paro e observo por horas

O incessante vai e vem

De pessoas sem rosto

Milhares de rostos sem expressão

Toneladas de porcas

Parafusos

E rebimbocas da parafuseta.

 

Mente em branco

Março 6, 2008

 

Nada.

Zero.

Tudo espero

Do meu vazio interno…

 

Nas páginas em branco

Do meu caderno

Manco entre as linhas

Em meio a gritos inaudíveis

 

Nas entrelinhas, vazias,

Borbulham, invisíveis,

Minhas futuras poesias…

 

 

 

Assombrações

Março 6, 2008

Quando um fantasma bate à porta

  Cabe a quem abrir

    Recebê-lo de cara torta.

      Dizer-lhe que não há porque vir

        E que o melhor a fazer

         É partir…

           Seguir seu caminho de volta.

 

Obrigados, mas nem tanto

Março 5, 2008

- Esta crônica deve ser escrita! Esta crônica deve ser escrita! É pra hoje! É pra hoje! Tem que estar pronta em uma hora! Uma hora!

- Mas chefe, eu não est… – Corte incisivo:

- Cadê? Cadê? Já terminou o primeiro parágrafo?! Já terminou? Então não me enche!!! Vai escrever!

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O errante e seu porto

Março 5, 2008

 

Equilibrado entre o meio e o fim

Trilhou sua vida por um fio

Enclausurado em noites escuras

 

Na ânsia do estopim

Cabeça cheia, peito vazio:

Revirando seu baú de amarguras…

 

Pobre poeta, palhaço, pierrô

Desejou tão pouco

E esse pouco lhe trouxe tanta dor…

Do coração, palpitou

A esperança pulsante

De uma alma que latejava autopiedade…

 

Pobre sonhador que almejava

Encontrar e viver o amor

Com branda intensidade…

 

Se sincero, não faria diferença

Um só buquê ou uma só flor

Pois o que queria, não tinha preço…

E seu apreço… não teria valor